Boris Brejcha e seu techno andróide

por: Pedro Caio – Revista Goma

Faz bastante tempo que queria ver Boris Brejcha, mas meu restante de discernimento e sanidade não me permitiu ir até uma Tribe vê-lo tocar. Apesar de achar louvável a opção das grandes raves de levarem nomes do techno para suas aglomeradas e ensolaradas pistas, sou da parcela da população que acredita fielmente que este tipo de som é feito para club. E ponto final.

E não pareço ser o único. Devidamente desvinculado de sua máscara de borboleta, Boris apareceu nas cabines do Clash Club por volta das 2h30. Ficou evidente que a máscara, por sinal, é um artifício pra conquistar mais fãs nas psicodélicas pistas das raves. Ali, no club, surgiu um Boris sem máscaras, totalmente despido de fanfarrices e concentrado no mais importante: sua música.

Boris Brejcha Live @ Clash Club 10/10/09 – Intro

Boris faz um techno sério. E apela pra todos seus truques. Baixos contidos, baixos rasgados, baixos grooveados, melodias fantásticas, timbres que parecem realmente sair de robôs. São inesquecíveis os solos de piano brilhantemente posicionados sobre distorção de White Snake e a melodia inconfundível de Die Milchstrasse, músicas estas que já fizeram parte de sets e mais sets que já toquei. Um som andróide, eletrônico em sua essência, em que o orgânico se apresenta primordialmente na forma de vozes distorcidas, vocais em alemão e instrumentos reais. E não se preocupa em fazer um techno desses contínuos e viajantes como costumam fazer por aí. Sua piração é criar brincadeiras, distorções e automações inesperadas a todo momento, causando até uma certa agonia sonora. E como ótimo produtor que é, Brejcha se revelou também um ótimo DJ. Nada é mais decepcionante que idolatrar um produtor que não mantém o nível do estúdio ao vivo. Por outro lado, nada é mais gratificante que reforçar sua idolatria ao ver que o rapaz realmente é genial.

Tive a oportunidade de acompanhar sua apresentação ali do camarote, onde é possível enxergar todos seus movimentos. E o alemão encaixa um verdadeiro caos de delays e filtros pra lá e pra cá, que misteriosamente terminam em viradas espetaculares, dessas de ouvir gritos da pista. E mesmo estando sob o entorpecedor efeito de deliciosa(s) vodka(s) com maracujá que tomei antes de entrar, pude perceber que Boris andou tocando várias novidades. E aaaaaaah como eu queria esse setlist hehe! Alguém tem?


fonte: revista goma

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