Entrevista: Valvulados

Quando cultura musical se une à diversão; DJs, produtores e entusiastas cariocas da música criam podcasts e festas

A virtualidade e suas ferramentas para a divulgação de idéias, trabalhos, música e assuntos relevantes (ou nem tanto) já é uma constante na vida da maioria das pessoas. A internet esta aí, como as novelas televisivas estão para a maioria das donas-de-casa brasileiras. E foi assim, através da internet, que se teve notícia de um “coletivo” (embora eles mesmos não se chamem assim) de DJs/produtores que estão dando pano pra manga em terras cariocas. Foi lá no piador que chegou um piadinho miúdo, mas melódico, e chamou a atenção dos meus ouvidos para algo novo e interessante. Em formato podcast. Tem Liaisons-Dangereuses, Christian Morgenstern, Jamie Lidell, Modeselektor x Siriusmo, Dopplereffekt, Phonique, Maurizio, Jay Haze…

Uma enxurrada de pios depois, me pus a ouvir o tal podcast. Logo de cara – ou de ouvido – o que chama a atenção é o cuidado com a seleção musical. Uma voz robótica de vocoder nos diz o endereço do mais novo e um dos mais estimulantes projetos na cidade maravilhosa, o Valvu.la. Referências aos anos 80, aos anos 90, ao electro, ao techno, a disco, ao darkwave e/ou a pura música sintetizada. Tudo fino, bem escolhido, a um ou dois cliques do ouvido, com frequência quase mensal.

Muito além do podcast, os valvula.dos desde maio fazem alvoroço. Se definem como um “coletivo de djs, produtores e musicólatras cariocas entorpecidos por ondas analógicas e códigos binários” e armaram uma festa que fez sucesso e, como receberam ótimos comentários, planejam armaram uma segunda, na última sexta-feira dia 26/set. Também planejam novo podcast, selo e tudo o mais que der na telha de Ivan LP, Saduh, DJ Spark, Miravalles, Mikael Virkki e Patrícia Lobo, a Patoops.

Em um sábado frio saímos em direção ao Humaitá no Rio de Janeiro. Lá pelas 19h30 chegamos ao nosso destino: um apartamento reservado e guardadinho dentro de Botafogo. O grande lance era conhecer os valvula.dos. E foi assim que se seguiu o bate-papo, com bastante humor, que pode ser lido abaixo.

Como foi que surgiu a idéia do Valvu.la? Foi algo que vocês já vinham pensando ou simplesmente aconteceu?

Ivan LP: A gente já se conhecia. Somos amigos. Como gosto de cozinhar, sempre marcava uns jantares. Eu, o Saduh, Miravalles e o Mikael usamos o Live para produzir/tocar e estamos tentando converter o Spark também. Somos todos produtores, DJs e, como no caso da Patrícia (Lobo), produtora.

DJ Spark: Poxa, no Rio não tem quase nada. Salvo algumas festas aqui e ali.

Ivan LP: Foi aí que decidimos fazer alguma coisa.

Mas o que veio primeiro? O podcast? O blog?

Ivan LP: Marcamos uma reunião. A idéia era assim: o podcast primeiro, mas já pensando numa festa.

DJ Spark: Estávamos quase sem tocar, alguns produzindo mais, outros fazendo outras coisas…

Ivan LP: É, tocando pouco. Como tínhamos a intenção também da festa e a Patrícia é nossa amiga pensamos logo em chamá-la. Ela tem muita experiência com produção de festa e podia nos ajudar com isso. Começamos então, com o podcast já pensando numa festa mesmo.

O que exatamente é o Valvu.la? Um coletivo?

Mikael Virkki: Isso é difícil. São referências. Cada um tem uma referência e mostra isso, é uma troca.

Saduh: Cada um têm suas referências e procura acrescentar, mostrar para os outros.
Miravalles: É heterogêneo! Cada um tem uma descrição.

DJ Spark: É mais o que diverte cada um. O Valvu.la é um grupo de pessoas com iniciativa e compromisso, até certo ponto, para não deixar de ser diversão.
Patrícia Lobo: O Gig – onde rolou a primeira Valvu.la Sessions – é um bar. Não é um clube. A Valvu.la Sessions é mais nesse clima, como nos podcasts, cada um com a sua referência de som.

DJ Spark: O som tem que dar para conversar, beber…
Mikael: Somos todos curiosos!

Ivan LP: E como faltam grandes festas no Rio, exceto pela Moo e umas outras festas esporádicas, resolvemos tentar fazer alguma coisa com o intuito de ajudar a mudar isso.

Miravalles: Mas com um clima de descontração.

Os válvula.dos vivem exclusivamente de música?

Ivan LP: Cada um aqui tem seu emprego.

Miravalles: A gente tem aluguel para pagar!

E quais são seus empregos?

Patrícia: Sou produtora de eventos.

DJ Spark: Programador.

Miravalles: Desenhista de projetos em Autocad.

Ivan LP e Mikael: Somos economistas.

Saduh: Sou publicitário.

Quais são quais próximos passos do Valvu.la?

Miravalles: O Valvu.la!? De repente vira um transistor…

DJ Spark: Acho que o tempo vai dizer. Todo o mundo tem compromisso, dentro das suas possibilidades.

Ivan LP: Sem brincadeiras, a gente vai continuar com os podcasts e virão novas festas. E tem selo, né? Que te falei e sei que você vai perguntar… (risada geral)

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